Especial Páscoa

Nesta postagem especial de Páscoa, conheceremos alguns dos costumes mais populares do século XIX.

SPOILER: tem uma receita deliciosa ao final da postagem!

A Tradição dos Ovos Decorados

Há séculos, os ovos são associados pelos cristãos à Páscoa, representando nascimento e imortalidade. Durante a Quaresma, os ovos eram considerados um alimento proibido. Para evitar que estragassem, eram cozidos ou fervidos em água quente e comidos na manhã do domingo de Páscoa quando o jejum era quebrado.

O costume de pintar as cascas dos ovos é antigo. Os primeiros cristãos do Oriente Médio manchavam os ovos de vermelho como uma representação do sangue de Cristo derramado. Acredita-se que o hábito tenha se espalhado primeiramente na Rússia antes de chegar aos demais países da Europa. Conforme a prática se espalhava no continente, os ovos ganharam novas colorações e desenhos. Na Grã-Bretanha, os ovos eram comumente embrulhados em cascas de cebola antes de serem cozidos, o que lhes conferia uma aparência de ouro mosqueado. Como a Páscoa era a celebração mais importante da primavera, os ovos adquiriram cores vibrantes e tornaram-se um símbolo definitivo da celebração cristã.


Superstições

A água benta que sobrava da missa do Domingo de Páscoa era considerada um poderoso curativo para uma ampla variedade de doenças. Acreditava-se que os bebês nascidos no Domingo de Páscoa teriam uma vida particularmente afortunada, enquanto os bebês nascidos na Sexta-Feira Santa, e batizados no Domingo de Páscoa, seriam agraciados com o dom da cura.

Era costume usar uma roupa nova, um novo acessório ou uma nova peça de vestuário no Domingo de Páscoa para garantir a sorte durante o restante do ano. Em algumas regiões, era comum utilizar apenas um conjunto de roupas durante toda a quaresma – que era descartado no Domingo de Páscoa.

Uma das superstições dizia que se a pessoa não usasse ao menos uma peça de roupa nova no Dia da Ressureição, corria o risco de se sujar com fezes de pássaros ou de ser hostilizada por cães nas ruas. A punição mais severa era ser atacado por corvos, que bicariam os olhos dos que se atrevessem a ignorar a tradição.

Beaux – Belles – Cassell’S. -1810


Hot Cross Buns

Uma antiga tradição na Inglaterra Regencial era servir pãezinhos quentes, chamados de Hot Cross Buns, na Sexta-Feira Santa. Dizem que os pãezinhos foram originalmente criados pelos saxões para homenagear a deusa Eostre, divindade da Primavera, da Ressureição e do Renascimento. A decoração peculiar do pãozinho, em formato de cruz, simbolizava a lua e suas fases. Na época da Páscoa, a cruz assume o simbolismo da Crucificação de Cristo.


Como Preparar Hot Cross Buns*

Hot Cross Buns – Tradição antiga na Inglaterra

Ingredientes

– 1 xícara (240ml) de leite
– 4 colheres de chá (20 ml) de água
– Fermento biológico fresco
– 3 xícaras (720 ml) de farinha de trigo
– 1/3 xícara (80ml) de açúcar
– 1 colher de chá (5ml) de sal
– 1/4 colher de chá (1,25 ml) de canela
– 1/4 colher de chá (1,25 ml) de noz-moscada ralada
– 1 ovo batido
– 1/4 xícara (60 ml) de manteiga derretida
– 1 xícara (240 ml) de groselha (a fruta)

Modo de Preparo

– Aqueça o leite e a água até ficarem mornos
– Esfarele o fermento. Misture com 1/2 xícara (120 mL) de farinha. Junte o leite/água morna e misture bem
– Cubra e reserve em local quente até que o fermento esteja ativo e espumando, cerca de 10 a 15 minutos
– Misture a farinha restante com o açúcar, o sal, a canela e a noz-moscada
– Acrescente o ovo e a manteiga na mistura de fermento e adicione a mistura de farinha do passo anterior, junto com a groselha. Misture bem
– Coloque a massa em uma superfície enfarinhada e sove. Depois de sovada, volte a massa para a tigela e deixe crescer até dobrar de volume (cerca de 1 hora)
– Volte a sovar a massa sobre uma superfície enfarinhada
– Pré-aqueça o forno a 190°
– Divida a massa em doze pedaços e molde em pãezinhos. Marque uma cruz profunda no topo de cada pão
– Arrume em uma assadeira, cubra com um pano de prato e deixe descansar por 30 minutos. Cozinhe no forno pré-aquecido a 190 ° C por 15 minutos ou até dourar

*receita adaptada do livro Five Thousand Receipts’, por Colin MacKenzie, publicado em 1825


Fontes

https://regencyredingote.wordpress.com/2018/03/16/regency-bicentennial-the-earliest-easter/
https://janeausten.co.uk/blogs/snacks-and-sides/hot-cross-buns
https://dianedario.wordpress.com/easter-traditions-during-the-regency/


Imagens

Adobe Stock
Nursery Rhimes (página 16) – Public Domain


Tinderbox

Em uma das cenas de Até o Último Amanhecer um dos personagens menciona uma caixinha de estanho que costuma guardar no bolso. Tais caixinhas eram conhecidas como tinderbox. Em nosso idioma não consegui encontrar uma palavra que melhor descrevesse essa “caixinha”. Talvez uma pederneira portátil? 🤔

Mas, afinal, o que era uma tinderbox?

Fabricada em madeira ou metal, essa caixinha guardava em seu interior pedaços de pederneira (sílex), aço, enxofre e um pavio que geralmente era confeccionado em linho, juta ou algodão.

Tinderbox – Uma versão moderna dos nossos isqueiros

Se você pressionasse o aço de encontro a pederneira, próximo ao pavio…

VOILÀ!

Você criaria um fogo de respeito para o seu charuto ou quem sabe se aventurasse a acender uma lareira.

Para extinguir o fogo bastava fechar a caixinha. Prático, não é mesmo?

As tinderboxes foram bastante utilizadas no período georgiano até serem substituídas gradualmente por uma versão primitiva dos fósforos — uma invenção do químico John Walker em 1826, mas que seria vendida apenas em 1827 em seu estabelecimento em  Stockton-on-Tees sob o nome de Congreves.

Walker foi alertado para que patenteasse sua invenção, mas decidiu não dar ouvidos aos conselhos recebidos, tornando-a acessível a qualquer pessoa.

Como resultado, Samuel Jones lançou uma cópia exata dos experimentos de Walker a qual batizou de “Lucifers” em 1829.

O reconhecimento de Walker como o inventor dos fósforos veio somente após a sua morte em 1859.


Fontes

https://isabellaalden.com/2014/04/11/light-the-lucifer/
http://www.bbc.co.uk/ahistoryoftheworld/objects/hQR9oN5LTeCLcuKfPDMJ9
https://georgianera.wordpress.com/2016/11/08/guest-post-by-laurie-benson-from-a-spark-to-a-flame/