Um Passeio pelo Hyde Park – Parte I

Mais do que um lugar da moda para ver e ser visto, o Hyde Park tem servido de palco para diversas cenas de romances ambientados na Inglaterra na época da Regência e na era Vitoriana. Quem não se lembra da passagem memorável em que Anthony Bridgerton cai no Serpentine depois de tentar salvar o Newton, cãozinho da patroa Kate?

Nesta série de postagens, irei comentar sobre a história e sobre as curiosidades do famoso parque londrino.

John Ferneley – William Massey Stanley driving his Cabriolet in Hyde Park – Google Art Project

As terras onde Hyde Park está situado foram adquiridas por Henrique VIII e pertencem a Westminster Abbey. Na época, as terras foram transformadas em um terreno de caça e só seriam abertas ao público em 1637 no reinado de Charles I, que foi o responsável pela construção de um caminho, chamado Ring, para que os membros da Corte Real pudessem passear com suas carruagens.

Paul Sandby RA, 1731–1809, British, The Gunpowder Magazine, Hyde Park, ca

Em 1730, a Rainha Charlotte fez um pedido a Charles Bridgeman, jardineiro Real, para que fizesse alterações na paisagem do Hyde Park. Acreditando que as despesas seriam arcadas com o dinheiro privado da Rainha, o Rei George II generosamente se absteve de interferir em seus esquemas. Somente após a morte da Rainha, em 1737, que o monarca descobriu que seu próprio dinheiro havia sido utilizado nesta e em outras melhorias do Hyde Park.

Pintura retratando um acampamento militar próximo ao Ring em 1780

Com as melhorias, o Ring, que estivera em voga por mais de um século e vira sua popularidade cair quando Newmarket foi transformado em um grande centro de corridas, foi removido para dar lugar a criação de um lago ornamental. O rio Westbourne — que naquela época formava ao longo do parque cerca de onze lagoas naturais — foi represado e originou, junto com o rio Tyburn, o que ficou conhecido como o Serpentine. Cerca de duas centenas de pessoas foram envolvidas no projeto e acredita-se que os custos da criação do famoso lago sinuoso do Hyde Park tenham sido modestos: apenas seis mil libras.

O Serpentine

De acordo com John Feltham no The Picture of London, em 1813 o Hyde Park funcionava diariamente das 6h até às 21h.

Todas os tipos de carruagens eram permitidas nas dependências do parque, exceto carruagens de aluguel ou diligências.

Cinco portões guardavam as entradas do parque: Cumberland-Gate, na extremidade oeste da rua Oxford; Grosvenor-Gate, na Park Lane; o portão na extremidade oeste de Piccadilly, chamado de Hyde Park Corner, e o portão próximo à entrada da vila de Kensington.

Cumberland Gate
Grosvenor Gate
Hyde Park Coner

Fontes

The Modern London – Richard Phillips (1804)
Hyde Park – It’s History and Romance – Alec Tweedie (1908)
The Picture of London – John Feltham (1813)
https://www.regencyhistory.net/2018/01/hyde-park-in-regency-london.html

Imagens

– Hyde Park – John Martin, 1789–1854, British, Hyde Park, ca. 1815, Oil on panel, Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection, B1993.30.18
– John_Ferneley_-_William_Massey tanley_driving_his_Cabriolet_in_Hyde_Park_-_Google_Art_Project
– The Serpentine, Hyde Park. Pintura atribuída a George Sidney Shepherd, 1784–1862. Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection, B2001.2.92
– PAUL SANDBY (1731-1809) – View near the Ring in Hyde Park, looking towards Grosvenor Gate, during the Encampment 1780
– Paul Sandby RA, 1731–1809, British, The Gunpowder Magazine, Hyde Park, ca. 1793, Watercolor, pen and gray ink and graphite on medium, cream, moderately textured wove paper, Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection
– View of Cumberland Gate, from within the park, looking out towards the buildings and streets beyond, a small lodge to the right of the gate. c.1820 Watercolour © The Trustees of the British Museum
– George Sidney Shepherd – Grosvenor Gate, Hyde Park, London (1784–1862)
– View of Hyde Park Corner, looking west, Apsley House on the right, a carriage waiting outside, elegantly dressed people on the pavement; illustration to the Picturesque Tour. 1800 Etching and aquatint © The Trustees of the British Museum


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Romance de Época? Clássico? Romance Histórico? Afinal, qual a diferença?

Com a chegada de Brigderton na Netflix, o interesse por histórias ambientadas na Inglaterra do século XIX tem conquistado espaço no coração das leitoras e tem fomentado uma confusão natural entre o que é um livro clássico, um histórico e um de época.

Clássicos

De forma resumida, um livro clássico é aquele que atravessa gerações sem perder sua relevância. São obras atemporais que costumam representar o período em que foram escritas e que convidam os leitores a refletirem sobre o comportamento humano e sobre temas universais, tais como: o amor, a redenção, a inveja, as injustiças e a vingança. Vale ressaltar que nenhum livro nasce clássico. O que diferencia os clássicos de outros livros escritos na mesma época é a sua capacidade de resistir a passagem do tempo.

Exemplos: Orgulho e Preconceito, O Morro dos Ventos Uivantes, Jane Eyre, Senhora.

Romance de Época X Romance Histórico

Tanto o romance de época quanto o romance histórico são romances escritos por autores contemporâneos que tem como cenário uma época passada. O que diferencia os dois gêneros é a forma como o autor apresenta a construção do enredo.

Romances de época utilizam como pano de fundo os costumes e maneirismos de um determinado período histórico para construir um enredo com foco no desenvolvimento do romance entre os personagens principais. Não existe preocupação com datas ou acontecimentos históricos, apenas em apresentar um recorte superficial da sociedade. Geralmente, os temas abordados retratam questões da época como o casamento arranjado, o machismo estrutural e a posição da mulher na sociedade.

Exemplos: O Duque e Eu, Pecados no Inverno, Escândalo e Desejo.

Por sua vez, um romance histórico constrói a narrativa e a jornada dos personagens em cima de um acontecimento… histórico! O autor utiliza datas e momentos importantes da época retratada para movimentar e legitimar a trama. Também é comum a inserção de figuras históricas que realmente existiram e que interagem com os personagens. Vale lembrar, no entanto, que essa distinção é feita apenas no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, tanto os romances de época quando os romances históricos são chamados de Historical Romance.

Exemplos: Outlander, Esperança, Queda de Gigantes.