Um Passeio pelo Hyde Park – Rotten Row

Tendo transferido sua corte para o Palácio de Kensington, o Rei William III desejava uma maneira mais segura de viajar até as sedes do governo em Whitehall e Westminster. No final do século XVII, a rota utilizada era movimentada, porém, perigosa. Era comum que os cortesões do Rei enfrentassem salteadores — montados a cavalo ou a pé — nos horários de maior escuridão.

Em 1690, procurando garantir a própria segurança e a de seus súditos, William ordenou que a rota situada na borda sul do Hyde Park fosse iluminada com 300 lâmpadas à óleo. Sua requisição se transformou na primeira rodovia iluminada artificialmente da Grã-Bretanha.

Na imagem, a rota está identificada como The King’s Private Road

A rota ficou conhecida como Route du Roi, o equivalente francês para King’s Road (Estrada do Rei), que foi eventualmente decomposta em “Rotten Row”. Alguns etimologistas, no entanto, dizem que o nome Rotten deriva da época da Guerra Civil e teria uma origem militar (rotteran: reunir, misturar). Outra derivação é a Norman Ratten Row (via rotatória) que seria a forma como os cadáveres eram transportados para evitar as vias públicas.

No século XVIII, a Rotten Row se tornou um ponto de encontro popular para os londrinos da classe alta que desejavam exercitar suas montarias, especialmente nas tardes de finais de semana e ao meio-dia.

Durante os próximos 150 anos, a Rotten Row se transformou em um local da moda e ponto de encontro para amigos e familiares, tanto para a aristocracia quanto para as classes consideradas inferiores, especialmente durante a Revolução Industrial na era Vitoriana.

Alec-Tweedie nos mostra um panorama dos hábitos londrinos no final do século XIX e início do séc. XX em seu livro Hyde Park – It’s History and Romance, publicado em 1908:

“Quando criança, aos sete anos de idade, e durante dez anos depois, eu cavalgava com meu pai todas as manhãs às sete e meia em Rotten Row, voltando para o café da manhã para mudar meu trajes e ir para a escola; e por quase dez anos mais fiz o mesmo com meu marido, indo — em vez de ir para a escola, ao voltar — para a cozinha pedir o jantar. Meu conhecimento do Hyde Park, portanto, não é imaginário, mas real — muito real.”

Nos dias de hoje, a trilha de Rotten Row ainda é mantida como um local para passeio a cavalo com estábulos próximos para atender o público em geral.

Você se aventuraria em um passeio elegante — e quem sabe romântico — na trilha da Rotten Row?


Fontes

https://www.royalparks.org.uk/whats-on/blog/rotten-row
https://www.infoplease.com/dictionary/brewers/rotten-row
Hyde Park – It’s History and Romance – Alec Tweedie (1908)

Imagens

– View of men in top hats and tails riding horses in close quarters in a field in Hyde Park; in foreground to left four well-dressed people stroll by next to a small fence separating them from the riders. 1803 Etching and engraving © The Trustees of the British Museum
– Portrait of King William III – 1680s (Sir Godfrey Kneller Bt.)
– Ilustração Canva
– Hyde Park London from 1833 – Schmollinge map – Public Domain
– Thomas Blinks – Rotten Row – Public Domain
– Dandies in Rotten Row – The Metropolitan Museum of Art – William Heath (‘Paul Pry’)Thomas Tegg – 1819
– Rotten Row and Hyde Park Corner, London, England-LCCN2002696936
– Mrs Alec Tweedie 1862-1940), by Herbert Gustave Schmalz
– View in Hyde Park, showing the fashionably dressed men of the day assembling near the statue of Achilles, some on horseback, others on open landaus. 1834 Lithograph with hand-colouring © The Trustees of the British Museum


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Na época da regência da Inglaterra, o Hyde Park era considerado como um lugar para ver e ser visto. Nesta postagem, iremos compreender sua importância através das palavras de alguém que vivenciou os tempos de glória deste fascinante parque londrino.

Os trechos a seguir foram retirados da publicação do The Picture of London, edição de 1813, do autor John Feltham.

“Uma das cenas mais deliciosas desta grande metrópole, e a que mais exibe sua opulência e esplendor, é a formada pela Sociedade no Hyde Park e no Kensington Gardens em dias de bom tempo, principalmente aos domingos, de fevereiro a junho.”

“Em um belo domingo, as amplas estradas de cascalho dentro do parque ficam cobertas de cavaleiros e carruagens das duas às cinco da tarde. Durante esse horário, uma trilha larga que vai do Hyde Park Corner à Kensington Gardens fica frequentemente tão lotada, com pessoas bem-vestidas passando ou voltando dos jardins, que é difícil prosseguir.”

Um típico domingo ensolarado no Hyde Park

“Um caminho nobre que se estende de norte a sul em Kensington Gardens, nos limites orientais, com suas vivazes companhias, completa este interessante cenário. Numerosas pessoas da moda, misturadas com uma grande multidão de pessoas bem-vestidas e de várias classes sociais, aglomeram-se neste caminho por muitas horas.

Antes que o visitante entre em Kensington Gardens, recomendamos que ele pare em algum ponto no Hyde Park onde seus olhos possam enxergar a imagem completa do parque composta por carruagens, cavaleiros e passageiros a pé — todos ansiosos para avançar em várias direções —, e a cena mais harmoniosa da Sociedade passeando nos jardins. Tal local se apresentará ao observador atento mais de uma vez enquanto ele caminha pelo parque; mas, talvez, o melhor lugar para esse fim seja o largo caminho ao pé da bacia do rio, que desemboca em um canal mais estreito.”

“Tomando o ar” no Hyde Park

“Foi calculado que 50.000 pessoas foram vistas “tomando o ar”, ao mesmo tempo, no Hyde Park e nos Jardins. Esta não é uma prática moderna, pois este local era igualmente utilizado há duzentos anos.”


Fontes

The Picture of London – John Feltham (1813)
https://www.regencyhistory.net/2018/01/hyde-park-in-regency-london.html

Imagens

Hyde Park, London – Claude Monet – 1871
The Entrance to Hyde Park on Sunday – Edward Pugh 1804
Artista Desconhecido – 1816 Taking the Air in Hyde Park!, c. 1816, Hand-colored etching, Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection, B1977.14.9715


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Mais do que um lugar da moda para ver e ser visto, o Hyde Park tem servido de palco para diversas cenas de romances ambientados na Inglaterra na época da Regência e na era Vitoriana. Quem não se lembra da passagem memorável em que Anthony Bridgerton cai no Serpentine depois de tentar salvar o Newton, cãozinho da patroa Kate?

Nesta série de postagens, irei comentar sobre a história e sobre as curiosidades do famoso parque londrino.

John Ferneley – William Massey Stanley driving his Cabriolet in Hyde Park – Google Art Project

As terras onde Hyde Park está situado foram adquiridas por Henrique VIII e pertencem a Westminster Abbey. Na época, as terras foram transformadas em um terreno de caça e só seriam abertas ao público em 1637 no reinado de Charles I, que foi o responsável pela construção de um caminho, chamado Ring, para que os membros da Corte Real pudessem passear com suas carruagens.

Paul Sandby RA, 1731–1809, British, The Gunpowder Magazine, Hyde Park, ca

Em 1730, a Rainha Charlotte fez um pedido a Charles Bridgeman, jardineiro Real, para que fizesse alterações na paisagem do Hyde Park. Acreditando que as despesas seriam arcadas com o dinheiro privado da Rainha, o Rei George II generosamente se absteve de interferir em seus esquemas. Somente após a morte da Rainha, em 1737, que o monarca descobriu que seu próprio dinheiro havia sido utilizado nesta e em outras melhorias do Hyde Park.

Pintura retratando um acampamento militar próximo ao Ring em 1780

Com as melhorias, o Ring, que estivera em voga por mais de um século e vira sua popularidade cair quando Newmarket foi transformado em um grande centro de corridas, foi removido para dar lugar a criação de um lago ornamental. O rio Westbourne — que naquela época formava ao longo do parque cerca de onze lagoas naturais — foi represado e originou, junto com o rio Tyburn, o que ficou conhecido como o Serpentine. Cerca de duas centenas de pessoas foram envolvidas no projeto e acredita-se que os custos da criação do famoso lago sinuoso do Hyde Park tenham sido modestos: apenas seis mil libras.

O Serpentine

De acordo com John Feltham no The Picture of London, em 1813 o Hyde Park funcionava diariamente das 6h até às 21h.

Todas os tipos de carruagens eram permitidas nas dependências do parque, exceto carruagens de aluguel ou diligências.

Cinco portões guardavam as entradas do parque: Cumberland-Gate, na extremidade oeste da rua Oxford; Grosvenor-Gate, na Park Lane; o portão na extremidade oeste de Piccadilly, chamado de Hyde Park Corner, e o portão próximo à entrada da vila de Kensington.

Cumberland Gate
Grosvenor Gate
Hyde Park Coner

Fontes

The Modern London – Richard Phillips (1804)
Hyde Park – It’s History and Romance – Alec Tweedie (1908)
The Picture of London – John Feltham (1813)
https://www.regencyhistory.net/2018/01/hyde-park-in-regency-london.html

Imagens

– Hyde Park – John Martin, 1789–1854, British, Hyde Park, ca. 1815, Oil on panel, Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection, B1993.30.18
– John_Ferneley_-_William_Massey tanley_driving_his_Cabriolet_in_Hyde_Park_-_Google_Art_Project
– The Serpentine, Hyde Park. Pintura atribuída a George Sidney Shepherd, 1784–1862. Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection, B2001.2.92
– PAUL SANDBY (1731-1809) – View near the Ring in Hyde Park, looking towards Grosvenor Gate, during the Encampment 1780
– Paul Sandby RA, 1731–1809, British, The Gunpowder Magazine, Hyde Park, ca. 1793, Watercolor, pen and gray ink and graphite on medium, cream, moderately textured wove paper, Yale Center for British Art, Paul Mellon Collection
– View of Cumberland Gate, from within the park, looking out towards the buildings and streets beyond, a small lodge to the right of the gate. c.1820 Watercolour © The Trustees of the British Museum
– George Sidney Shepherd – Grosvenor Gate, Hyde Park, London (1784–1862)
– View of Hyde Park Corner, looking west, Apsley House on the right, a carriage waiting outside, elegantly dressed people on the pavement; illustration to the Picturesque Tour. 1800 Etching and aquatint © The Trustees of the British Museum


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